Friday, November 17, 2006

Decadentismo

por que não começar com o Decadentismo
e terminar com um contemporaneo dele
não to afim de escrever olhe bem
vi um filme em que um ator lindo tve que
morrer de sifilis triste ñ?
incrivel que mesmo maquiado para parecer hoirrivel
o cara continua lindo
então aos ñ leitores desse blog
que são todos
me desaponto com a sociedade pq ñ sei pq isso tah entrando na minha
cabeça então ñ esqueça
que eu estava vendo um filme sobre sexo orgias
e pessoas que morrem com DST's
para os curiosos: O libertino
assitam. agora chega d enrolar
pois bem:
ISMALIA

Alphonsus de Guimaraens



Quando Ismalia enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


Depois da orgia

Agusto dos Anjos



O prazer que na orgia a hetaíra goza

Produz no meu sensorium de bacante

O efeito de uma túnica brilhante

Cobrindo ampla apostema escrofulosa!

Troveja! E anelo ter, sôfrega e ansiosa,

O sistema nervoso de um gigante

Para sofrer na minha carne estuante

A dor da força cósmica furiosa.

Apraz-me, enfim, despindo a última alfaia

Que ao comércio dos homens me traz presa,

Livre deste cadeado de peçonha,

Semelhante a um cachorro de atalaia

Às decomposições da Natureza,

Ficar latindo minha dor medonha!



Volúpia imortal
Augusto dos Anjos


Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!


Não! Essa luz radial, em que arde o Ser,
Para a perpetuação da Espécie forte,
Tragicamente, ainda depois da morte,
Dentro dos ossos, continua a arder!


Surdos destarte a apóstrofes e brados,
Os nossos esqueletos descamados,
Em convulsivas contorções sensuais,


Haurindo o gás sulfídrico das covas,
Com essa volúpia das ossadas novas
Hão de ainda se apertar cada vez mais!



VERSOS ÍNTIMOS

Augosto dos Anjos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


e a referencia a arte?
Manet claro...
















e pra esse post sem proposito
uma musica nada haver...
ouvindo: Belle - Garou
;***

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